A arte do improviso...e o estado da saúde

O fatal acidente com o heli do INEM e toda a polémica que tem despoletado na comunicação social (mais aqui) só mostra no estado em que chegou o socorro em Portugal e de uma forma direta, o SNS. 
Todo o socorro a acidentes/catástrofes ou qualquer outro tipo de ocorrência que envolva a protecção civil, está envolta em polémica. Vejamos: 




Temos aqui três exemplos de ocorrências significativas que têm algo em comum: Falhas da protecção civil (claro que na queda da pedreira, a falha não ocorreu no socorro, mas sim na prevenção). 

Na minha opinião isto deve-se a uma coisa enraizada no povo português, a que damos o nome de Arte do Improviso. Nós portugueses sempre fomos habituados a desenvolver e aperfeiçoar esta bela arte... e desde novos que o fazemos. Quem nunca em criança jogou futebol com uma lata de refrigerante a servir de bola? Isso é improvisar. Quem nunca em criança usou uma câmara de ar de pneu a servir de boiá? Isto é improvisar. Até na música somos mestres a improvisar... Veja-se as desgarradas típicas do minho, que se baseiam na arte do improviso. 

E na Enfermagem? Não improvisamos nós todos os dias? 

Quem nunca usou algodão porque não tinha compressas? Quem nunca aplicou um tratamento a uma ferida porque não tinha o tratamento mais adequado disponível? Quem nunca fez uma adaptação a algum saco de drenagem com tegaderm porque não tinha a conexão certa para aquele diâmetro de saco?  Quem nunca usou um cobertor a servir de almofada? Quem nunca fez os seus truques para colocar uma bomba perfusora a funcionar?

Podia estar a noite toda a dar exemplos... 

Quando as coisas correm bem é perfeito. Os cuidados foram prestados... evitamos o agravamento da situação... não consumimos recursos materiais... e até nem chateamos o chefe com o pedido de material ou para proceder ao arranjo de algum equipamento. Lembro-me de ouvir no curso de licenciatura que os Enfermeiros são mestres na arte do improviso. 

O problema é quando as coisas correm mal, e abrem-se inquéritos para apurar o sucedido. Verifica-se uma falta de rigor nos procedimentos e protocolos a seguir em situações especificas. Chega-se à conclusão que todo o processo decorre muito na base do improviso. 

Acho que para evitarmos de assentar o cu no mocho, temos que começar a esquecer esta magnifica arte do improviso e começar a proceder com todo o rigor e exactidão que nos é exigido. E sim... chatear o chefe quando não temos material ou quando os monitores não funcionam. E lembrem-se... registar sempre tudo! 



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